Esôfago – função e anatomia – deglutinação

O esôfago é um tubo bastante retilíneo que se estende da faringe ao estômago. Suas paredes são constituídas pelas 4 túnicas descritas a propósito do plano geral do trato. As variações do plano geral encontradas nestas túnicas são adaptações para a função especial que esta parte do trato deve executar.

esôfago

Passagem do alimento pelo esôfago

Inicialmente, a velocidade com que o alimento passa pelo esôfago é consideravelmente maior que aquela com a qual é movido ao longo do restante do trato. Não há, portanto, tempo para ocorrer a absorção e assim nenhum ponto para ter epitélio cilíndrico absorvente na membrana mucosa.

Além disto, como muitos indivíduos (por mau hábito ou falta de dentes) não mastigam suficientemente seus alimentos há razão para possuir-se um epitélio que seja protetor contra o material bruto comumente deglutido. Obviamente, epitélio estratificado escamoso não queratinizado ou mesmo do tipo queratinizado seriam as escolhas lógicas para revestir o esôfago.

O epitélio do esôfago

No homem o epitélio é do tipo não queratinizado, mas, em muitos animais, que engolem material bruto ainda mais apressadamente, é empregado o tipo queratinizado. Mesmo no epitélio do homem podem ser vistos, algumas vezes, grânulos de querato-hialina.

O epitélio do esôfago é firmemente ancorado à lâmina própria subjacente por papilas desta, particularmente longas, que se estendem nele. Como estas papilas são longas e estreitas e como podem penetrar o epitélio em vários ângulos elas aparecem nas seções transversais do esôfago como ilhas de lâmina própria rodeadas por epitélio.

Como não ocorre nenhuma absorção através do epitélio de revestimento não há a mesma necessidade de tecido linfático, para filtrar o fluido tecidual formado na lâmina própria, como há em outras partes do trato.

Glândulas do esôfágicas

O tecido linfático presente, relativamente escasso, está confinado àquelas áreas onde os dutos das glândulas passam através da lâmina própria. Novamente, como não há tempo para que ocorra a digestão no esôfago e como os alimentos que nele penetram estão lubrificados com saliva, há pequena necessidade de possuir glândulas para secretar seja muco seja enzimas digestivas.

Consequentemente, poucas glândulas são encontradas nesta parte do trato. Há umas poucas glândulas mucosas espalhadas, aqui e ali, pela submucosa; estas são chamadas glândulas esofágicas.

Ademais, há algumas glândulas na lâmina própria da membrana mucosa; estas são mais comuns próximo do estômago e, como se parecem com as glândulas da parte cárdica do estômago, são chamadas glândulas cárdicas. Umas poucas glândulas podem também estar presentes em nível mais alto; elas também secretam muco.

Músculo do esôfago

O músculo associado com a faringe é do tipo estriado. A musculatura estriada continua-se para baixo, na porção mais superior do esôfago, onde forma a muscular externa do tubo. No terço médio do esôfago aparece músculo liso na muscular externa e, no terço inferior, constitui todo o músculo presente.esôfago-terços

Daí, as seções transversais do terço superior do esôfago mostrarem toda a muscular externa composta de músculo estriado; aquelas do terço médio mostram uma mistura, e do terço inferior mostram apenas músculo liso.

O músculo estriado da faringe, e da porção superior do esôfago, é uma exceção à regra geral de que músculo estriado é voluntário, isto é, está sob o controle da vontade. O do esôfago é inervado particularmente por fibras parassimpáticas dos vagos.

Se os vagos são cortados as fibras de músculo estriado tornam-se paralisadas, mas, curiosamente, não se atrofiam.

Deglutinação

Este músculo, então, está sob o controle do sistema nervoso autônomo. Por isto a deglutição, pelo menos em parte, é um ato involuntário da natureza de uma ação reflexa posta em movimento pelo estímulo de terminações nervosas aferentes distribuídas principalmente na parede posterior da faringe.

Embora a deglutição em si seja uma ação reflexa, um indivíduo, porque os músculos da boca estão sob o controle da vontade, pode iniciar a deglutição, mas sua continuação, da faringe em diante é involuntária por causa da operação autônoma do reflexo.

A faringe, portanto, marca o ponto onde o controle do movimento do trato alimentar passa do sistema voluntário para o involuntário. No homem, a muscular externa do esôfago não é suficientemente espessada no ponto de penetração do mesmo no estômago (a cárdia) para justificar ser chamada de esfíncter cárdico.

Como o esôfago não é revestido pelo peritônio ele tem mais uma adventícia que uma serosa. Esta é constituída por tecido areolar e liga o esôfago às estruturas circunvizinhas.

O esôfago humano

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