Sistema Urinário – Sistema excretor – Anatomia e função

O sistema urinário é o dispositivo utilizado pelo corpo humano para prover a renovação dos constituintes do organismo e a formação ininterrupta de produtos metabólicos finais, inúteis ou tóxicos para as células. Também cuida para que se mantenha concomitantemente o equilíbrio das substâncias úteis, ajustando sua eliminação ao ritmo com que se formam ou ingressam no organismo.

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Já vimos que o aparelho respiratório serve como via de excreção de um importante metabólito gasoso: o CO2. Outras substâncias de refugo são descarregadas no tubo digestivo (como os pigmentos biliares, que resultam da degradação da hemoglobina) ou através de pele. A seguir, veremos as características do sistema urinário.

Órgãos do sistema urinário

Rim

O órgão mais importante do sistema urinário é o rim, cujas funções principais são as seguintes:

  • A eliminação das substâncias estranhas ao organismo e das que derivam do metabolismo celular, particularmente dos metabólitos tóxicos;
  • a regulação do equilíbrio aquoso;
  • a regulação do equilíbrio mineral;
  • a manutenção da pressão osmótica;
  • a manutenção da concentração de H+(pH) do sangue dentro dos limites normais.

Saiba mais sobre o RIM, o órgão mais importante do sistema urinário.

Ureter

ureter

O ureter é um tubo muscular de paredes grossas pelo qual passa a urina, dos rins até a bexiga. Há um ureter de cada lado da pelve. No sistema urinário, o ureter atua por um processo de contração ou peristalse, que força a urina para baixo em borbotões. Tem aproximadamente 30 cm de comprimento e 0,5 cm de diâmetro.

Um cálculo pode bloquear o ureter, sendo necessária sua remoção cirúrgica. O tubo pode também dobrar-se ou infetar-se; há também casos de ruptura.

As perturbações do ureter ou de qualquer parte do sistema urinário são tratadas, geralmente, por um especialista conhecido como urologista. Podem-se obter radiografias dos ureteres injetando-se-lhes uma substância que os torna visíveis.

Bexiga

A bexiga é o órgão do sistema urinário onde armazena-se a urina. A bexiga é composta por tramas musculares (formando o músculo detrusor).

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A bexiga possui uma capacidade volumétrica para cerca de 700 a 800 ml de urina, sendo que sua musculatura tem a propriedade de contrair-se para acomodar-se ao volume de líquido correspondente. Essas contrações são controladas pelo sistema nervoso autônomo parassimpático.

Uretra

No sistema urinário, a uretra é um tubo que se estende da bexiga urinária ao óstio externo da uretra e, assim, permite que a urina contida na bexiga seja expelida do corpo.

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No sexo masculino, a uretra atravessa o órgão copulador, o pênis, e é utilizada para outra função, ou seja, a de oferecer uma via de passagem para o sêmen (uma suspensão de espermatozoides em líquido) a ser ejaculado no ato da cópula.

Como a uretra masculina é uma parte tanto dos órgãos genitais quanto do sistema urinário, sua descrição pode ser proposta até que os órgãos genitais masculinos entrem em consideração. Contudo, a uretra da mulher não tem função genital, mas somente no sistema urinário.

A uretra feminina é dita variar entre 2 a 6 cm de comprimento. Há alguma diferença de opinião estimativas entre cerca de 3 cm a cerca de 4,5 cm acerca de seu comprimento médio, divergindo-as. É um tubo muscular retilíneo forrado por uma túnica mucosa. Entretanto, uretra feminina é mais larga do que no homem e está sujeita a maior dilatação.

Formação da urina

A formação da urina pelo sistema urinário começa com um simples processo de filtração do plasma sanguíneo a nível dos corpúsculos de Malpighi. O líquido filtrado na cápsula de Bowman passa depois aos túbulos e sofre uma complexa série de modificações em consequência dos fenômenos de reabsorção e de secreção seletivas que ocorrem no sistema urinário através do epitélio tubular.

Processo de Micção

No sistema urinário, a urina formada nos nefrons flui pelos tubos coletores e chega à pelve renal de maneira continua. A seguir desce pelos ureteres até a bexiga urinária; mas a entrada de urina na bexiga se realiza de forma intermitente, e isso porque os ureteres não são simples condutos passivos, mas manifestam movimentos peristálticos que fazem avançar a intervalos seu conteúdo em direção à bexiga.

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                                                                                   Processo de micção

Estas ondas peristálticas aparecem no homem a um ritmo de três a seis minutos e percorrem o ureter em menos de um minuto.

No sistema urinário, o músculo liso que forma a bexiga urinária tem a propriedade de se acomodar à distensão, de maneira que, embora a bexiga aumente de volume à medida que se vai acumulando urina dentro dela, a pressão intravesical aumenta muito pouco, pois suas fibras musculares se relaxam passivamente.

Características da urina

A urina é o liquido excretado pelos rins, armazenado na bexiga e eliminado pela uretra. Em condições normais no sistema urinário, a urina possui uma cor amarelo-âmbar e contém ureia, sais inorgânicos, pigmentos e outros produtos finais do metabolismo das proteínas e sais minerais do sistema.

A urina tem um cheiro mais ou menos forte e, se permanece depositada por algum tempo, há produção de amoníaco, facilmente perceptível pelo cheiro. A quantidade diária de urina produzida pelo sistema urinário varia segundo o estado de saúde.

Com o tempo frio pode aumentar e com o calor, diminuir a quantidade de urina excretada, pois a transpiração também elimina grande parte dos produtos de excreção e no verão ela é mais intensa.

A albumina na urina pode ser sinal de nefrite ou outro distúrbio no sistema urinário, embora, às vezes, como acontece na albuminúria, a causa seja fisiológica. Nos casos de diabete, analisa-se a urina para determinar a quantidade de açúcar; outro exame de laboratório assinala a presença ou ausência de sangue.

A abundância de carne na dieta aumenta a acidez da urina, enquanto que grandes quantidades de vegetais a tornam alcalina.

Capacidade da bexiga

Todavia, esta capacidade de acomodação tem um limite, alcançado quando o conteúdo da bexiga chega aos 400 ou 500 ml; a partir deste volume, a entrada de novas porções de liquido determina incrementos consideráveis de pressão.

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Esfíncter urinário relaxado no ato de urinar

Existem na parede vesical certos receptores sensíveis à distensão, que são excitados quando o volume de urina acumulado na bexiga supera os 400/500 ml.

Os impulsos nervosos iniciados em ditos receptores chegam à região sacra da medula espinhal e estimulam os neurônios parassimpáticos que inervam a própria bexiga urinária e o esfíncter interno. Em consequência, no sistema urinário, contraem-se as paredes da bexiga e se relaxa o esfíncter.

Saída da urina

Porém, a urina não pode sair porque é impedida pelo esfíncter externo. Ao mesmo tempo, parte da corrente nervosa gerada nos receptores se propaga até os centros superiores do sistema nervoso, onde determina o desejo consciente de urinar.

No sistema urinário, o esfíncter externo está subordinado à vontade, e não se efetua a micção até que voluntariamente não se o relaxe, o que é feito em resposta ao desejo de urinar se o momento é oportuno.

Com a inibição voluntária do reflexo automático da micção desaparece o desejo de urinar durante certo tempo, embora reapareça mais tarde com mais intensidade.

Água total

A quantidade total de água do organismo mantém-se sensivelmente constante, o que traduz a existência de mecanismos adequados do sistema urinário para manter um equilíbrio entre a água que ingressa e a que é eliminada.

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A ingestão de água é regulada pela sensação de sede, que por sua vez depende da dessecação da cavidade oral e, provavelmente, da desidratação celular. Por outro lado, o controle da eliminação de água promovido no sistema urinário é exercido principalmente a nível renal, por meio do hormônio antidiurético da hipófise, que modifica a reabsorção tubular de água.

Líquido Intracelular

O líquido contido em todas as células do organismo humano representa cerca de 41 % do peso corporal, o que equivale a cerca e 29 litros. Ainda que sua composição química varie de acordo com o tecido considerado, modificando-se inclusive ao variar seu estado funcional, são patentes as grandes diferenças que se observam ao compará-lo com os líquidos extracelulares.

A manutenção pelo sistema urinário destas diferenças de composição depende de fenômenos de membrana e de processos metabólicos ativos.

Líquidos extracelulares

O volume do líquido extracelular no homem adulto é de cerca de 17 litros, dos quais 14 correspondem ao liquido intersticial e três ao plasma sanguíneo. A composição química de ambos é muito semelhante; a diferença mais notável entre eles é seu conteúdo em proteínas.

O líquido intersticial e o plasma se relacionam através das paredes dos capilares sanguíneos, e é precisamente a existência de uma maior concentração de proteínas —não difusíveis— no plasma que explica as pequenas diferenças de concentração dos restantes eletrólitos em ambos os espaços. É função do sistema urinário promover o equilíbrio também nesse líquido.

Sistema urinário – Aparelho excretor