Líquido intersticial – Definição e características – Sistema linfático

O líquido intersticial consiste na parte do sangue que se pode difundir através das paredes do capilar. O sangue consiste de uma parte líquida e de células. A porção líquida é denominada de plasma e consiste numa solução de coloides e cristaloides.

líquido-intersticial

Definição

A parede endotelial dos capilares é permeável à solução de cristaloides, de modo que estes saem do sangue para formar o líquido intersticial. Todavia, a parede dos capilares retém as células sanguíneas e impede a passagem da maior parte dos coloides do sangue.

O líquido intersticial é, portanto, de composição diferente da do plasma sanguíneo, especialmente por não possuir tanto coloide quanto o sangue. Possui provavelmente a mesma composição da água do mar, onde se originou a vida animal.

Pressão hidrostática

A pressão hidrostática gerada pela ação bombeadora do coração, no interior dos vasos do aparelho circulatório é, portanto, um importante fator na filtração de líquidos através das paredes endoteliais dos capilares.

Em outras palavras, é um fator importante na formação do líquido intersticial. Poder-se-ia pensar que as artérias fossem a principal fonte do organismo, uma vez que a pressão hidrostática nelas é maior do que nos outros vasos. À medida que o sangue é levado pela ramificação arterial até aos capilares, sofre uma acentuada queda em sua pressão hidrostática, do mesmo modo que diminui a pressão no curso de um longo oleoduto.

Porém, as paredes arteriais espessas e compactas, necessárias para evitar que se rompam pela alta pressão hidrostática em seu interior, não permitem que os líquidos se difundam através delas. Assim o líquido intersticial que se difunde através da espessa parede de uma artéria de grande calibre, não chega mesmo a penetrar eficientemente na porção externa de sua parede, que tem que ser nutrida por líquido intersticial vindo de fontes externas.

As artérias são, portanto, praticamente inúteis para fornecer líquido intersticial para os tecidos através dos quais passam. A pressão hidrostática no interior dos capilares é muito baixa em comparação com a das artérias. Além disto, a pressão hidrostática em sua extremidade arterial é suficiente para leva-lo para o seu exterior, através do endotélio.

Extremidades das artérias

As extremidades arteriais dos capilares constituem, portanto, a fonte mais importante de líquido intersticial. Existe, é lógico, uma pequena pressão hidrostática na extremidade venosa dos capilares e na maioria das veias.

Veremos que algumas veias servem de fonte para o líquido intersticial, porém este fato é a exceção, visto que a maioria das veias possuem paredes tão espessas e tão baixa pressão hidrostática, que tornam impossível a produção do mesmo. Todavia, a porção venosa dos capilares não possui paredes espessas e em seu interior existe uma pequena pressão hidrostática.

Será discutido a seguir o motivo pelo qual, nestas porções não é produzido líquido intersticial, mas ao contrário, nelas, ele é absorvido.

 Absorção nas extremidades venosas dos capilares

Ao forçar o líquido através da membrana endotelial, a pressão hidrostática no interior dos capilares deve ser suficiente para vencer uma outra força que sempre procura atrair o líquido de volta à luz dos capilares.

Esta atração do sangue sobre o líquido intersticial é devida à sua pressão osmótica que é superior à do mesmo. Exemplifiquemos: Tanto o sangue como o líquido tissular possuem cristaloides. Estes lhes conferem pressão osmótica.

Porém, como ambas as soluções possuem critaloides em concentrações aproximadamente idênticas, as pressões osmóticas que eles lhes conferem são iguais. Todavia, no sangue existe maior quantidade de coloides.

Porém, ainda que as soluções coloidais não produzam pressões osmóticas muito elevadas, o maior conteúdo coloidal do sangue é suficiente para fazer com que sua pressão seja um tanto mais elevada.

Deslocamento

Assim, quando o sangue (não submetido à pressão hidrostática) está separado do líquido intersticial por uma membrana que permite a passagem dos cristaloides, mas não dos coloides, ele atrai para si o mesmo, através da membrana endotelial.

Portanto, os coloides sanguíneos, embora não exerçam grande pressão osmótica absoluta são, no entanto, muito importantes porque tal pressão osmótica, como é exercida, situa-se no limiar.

Em consequência o líquido intersticial se desloca, para fora ou para dentro, através do endotélio, em uma porção capilar, na dependência de que nesta área a pressão hidrostática seja maior do que a diferença entre a pressão osmótica do sangue.

Retorno aos capilares

Porém, como a pressão hidrostática cai grandemente à medida que o sangue se desloca pelo capilar em direção à sua extremidade venosa, mais cedo ou mais tarde torna-se insuficiente para sobrepujar a atração exercida pelo sangue, em virtude de sua maior pressão osmótica.

Em consequência o líquido intersticial retorna ao capilar, estabelecendo-se então uma circulação do mesmo.

Absorção pelos linfáticos

Na maioria, porém, em não todas as partes do corpo, há um segundo mecanismo que colabora na absorção do líquido intersticial. Da mesma maneira que o antecedente, este segundo mecanismo emprega capilares como órgãos de absorção. Este segundo tipo de capilares atravessa os tecidos entre os capilares sanguíneos.

Originam-se nos tecidos, como tubos de extremidades cegas e ramificando-se livremente, formam, em geral, redes de grande complexidade. A parte do líquido intersticial que não é absorvida pelos capilares sanguíneos, difunde-se através de sua parede endotelial e passa a se denominar de linfa.

Os capilares deste segundo tipo, como contêm linfa são denominados capilares linfáticos. São drenados por vasos linfáticos de maior calibre, que serão descritos posteriormente e estes reunindo-se a outros vasos, terminam por formar dois troncos coletores principais, que lançam toda a linfa do corpo em veias calibrosas, próximas ao coração.

Deste modo, aquela porção de líquido intersticial que é absorvida pelos capilares linfáticos termina por atingir o aparelho circulatório sanguíneo, porém utilizando uma via mais tortuosa.

Regularização do líquido intersticial

Os capilares linfáticos são úteis na regularização da qualidade do líquido intersticial, assim como sua quantidade. Admite-se que o endotélio dos capilares sanguíneos permite, em geral, a passagem de pequena quantidade de coloide em direção ao mesmo.

Admite-se também que este coloide extravasado não pode retornar aos capilares sanguíneos. Todavia, pode passar através das células endoteliais das paredes linfáticas. Estudos mostraram que se não fosse pela drenagem linfática do líquido intersticial, o coloide se acumularia neste e, em virtude de sua pressão osmótica, tenderia a reter quantidades cada vez maiores de água nos tecidos.

Drenando, de modo mais ou menos contínuo, o coloide dos tecidos, os capilares linfáticos exercem um profundo efeito na qualidade, assim como na quantidade do líquido intersticial.

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