Testículos – anatomia e função

Da mesma forma que os ovários, os testículos têm dupla função: produzem células germinativas e secretam hormônio sexual.

testículos

As células germinativas ou gametas masculinos são chamados espermatozoides (spenna = semente; zoon = animal). Denominam-se de modo genérico androgénios (aner = homem; gennao = produto) as substâncias que têm atividade de hormônio sexual masculino.

A estrutura e as funções dos testículos estão regidas pelo hormônio gonadotrófico da adeno-hipófise. Ao se aproximar um menino da puberdade, sua adeno-hipófise começa a secretar hormônio gonadotrófico.

Este estimula os testículos para iniciarem a produção de espermatozoides e androgênio. O androgênio secretado, em consequência do estímulo da gonadotrofina induz o desenvolvimento dos caracteres sexuais secundários masculinos, que passam então a se tomar evidentes.

Estrutura

Os testículos têm dois importantes componentes funcionais. Em primeiro lugar, os tubos que têm paredes com a espessura de várias células, e que se encontram emaranhados e compactamente arrumados nos dois testículos. São denominados tubos seminíferos (semen = semente; ferre = levar).

Suas paredes são formadas por várias camadas de células; as mais profundas ou internas vão, de modo mais ou menos continuado, transformando-se em espermatozoides. Estes gametas ficam livres na luz dos tubos.

O segundo componente funcional importante do testículo é constituído por acúmulos de células endócrinas, as chamadas células intersticiais, que se localizam no tecido conjuntivo existente entre os tubos seminíferos. Estas provavelmente elaboram o androgênio que é secretado pelos testículos.

Anatomia

Cada testículo é um corpo ovoide, medindo de 4 a 5 centímetros de comprimento. Está coberto por uma grossa cápsula chamada túnica aibugínea por possuir muito tecido fibroso branco.

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Ao nível da borda posterior de cada testículo, a cápsula se espessa consideravelmente, e penetra no interior da glândula para formar, por curta distância, um septo vertical incompleto. Como tende a situar-se no centro da glândula, esse septo incompleto, e a porção espessada da cápsula que o originou, recebem o nome de mediastino (mediastinum = situado na metade) dos testículos.

O mediastino de cada testículo está crivado por canais revestidos de epitélio; constituem a denominada rete (rete = rede) testis. Todos os tubos seminíferos do testículo deságuam nos espaços dessa rete testis.

São nesses tubos seminíferos que se concebem os espermatozoides.

Escroto

O escroto é uma bolsa, ou saco, suspensa como um pêndulo entre as bordas anterointernas da raiz das coxas. Sua fina parede é constituída pela pele, uma camada incompleta de músculo liso (dartos) e algum tecido conjuntivo subcutâneo.

escroto

A parede do escroto tem grande superfície. Acredita-se que isso permita ser o seu conteúdo mantido a uma temperatura inferior à do corpo. É, provavelmente, um requisito importante para que os testículos possam produzir os gametas masculinos.

O músculo darto da parede do escroto contrai-se em consequência do frio e outros estímulos. Sua contração acarreta a diminuição do volume do escroto, com correspondente enrugamento de suas paredes.

As células intersticiais dos testículos

Os tubos seminíferos são de pequeno diâmetro e constituídos por dois tipos de células: as precursoras das células germinativas definitivas (gonócitos) e as células de sustentação. As últimas são numerosas, exibindo um núcleo pequeno, irregular e citoplasma mal definido.

Os gonócitos são em pequeno número, possuem núcleo esférico e membrana citoplasmática bem visível. Durante a adolescência (dos 10 anos aos 14 anos de idade), provavelmente sob estímulo de hormônio gonadotrófico hipofisário, os gonócitos começam a proliferar e, eventualmente, produzem numerosos espermatozoides.

Simultaneamente, as células de sustentação vão aumentando de volume e cada uma passa a ter um núcleo volumoso, polimorfo, palidamente corado e abundante citoplasma que se estende desde a periferia do tubo até à luz do mesmo, por entre as várias camadas de células relacionadas com a gênese dos espermatozoides.

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Essas são as denominadas células de Sertoli, admitindo-se como capazes de nutrir as células germinativas. Durante o período de crescimento ativo, os tubos seminíferos passam a ter uma luz, e paralelamente às células intersticiais, tomam-se novamente distinguíveis no estroma do testículo

Desenvolvimento dos testículos

Até o final da sexta semana, as gônadas de embriões, machos ou fêmeas, são praticamente indistinguíveis entre si. Por essa época, células provenientes do epitélio germinativo cresceram e penetraram no mesênquima da gônada, mas não existe uma diferença em sua disposição, capaz de indicar se a gônada será um ovário ou um testículo.

Se o embrião é predisposto a ser do sexo masculino, ao chegar à sétima semana, o epitélio da gônada se organiza formando cordões e o mesênquima situado imediatamente por baixo do epitélio germinativo se individualiza, indicando que mais tarde será ali constituída a espessa albugínea da gônada masculina.

Os testículos se originam na cavidade do corpo por trás do peritônio e medialmente em relação ao rim em desenvolvimento. À medida que o crescimento embrionário prossegue, e os testículos emigram para baixo, o peritônio faz proeminência através da parede peritoneal anterior, imediatamente por cima da extremidade interna do ligamento inguinal, penetrando no canal inguinal.

Descida dos testículos

Os testículos, que por essa época estão situados imediatamente por trás do peritônio, são tracionados pelo canal inguinal segundo o processus vaginalis. Este último atravessa o canal inguinal e desce até o escroto, o qual alcança aproximadamente no sétimo mês de vida fetal, ou um pouco depois.

Cada testículo, arrastando o canal deferente, desliza seguindo a parede posterior do processus vaginalis, atingindo o escroto pouco antes do nascimento.

A parede posterior do processus vaginalis fica invaginada pelo testículo e, portanto, cobre não só suas paredes externa e interna, como também os seus dois polos. Consequentemente, cada um dos testículos fica dotado de uma túnica de peritônio visceral (a folha visceral da túnica vaginalis).

O resto do processus vaginalis situa-se na metade correspondente da parede interna do escroto e constitui a folha parietal da túnica vaginalis.  Mais tarde, o canal que comunica o processus vaginalis com a cavidade peritoneal é obliterado (isto pode ocorrer antes do nascimento, mas geralmente sucede depois).

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